Não lhe poderei dizer com firmeza,
Se nos poemas minha alma exponho;
A poesia é carne, caminho e sonho,
Em que todos têm a mesma beleza.
Alma que pode ser a tua ou a de um anjo,
Não a distingo de mim nem da canção;
Na poesia tenho mais de um coração
Que palpitam formando um belo arranjo.
Se disser que sou flor mesmo não sendo,
A verdade de outrem é meu rebento;
Pois eu digo: outras almas são minhas.
Contudo, se de mim duvidas tanto,
Se a ti provoco desmedido espanto,
Tenha fé, então, nas minhas entrelinhas.
(Luciene Lima Prado)


