Teste 1

Teste 1

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

SEM PLACAS

As curvas das estradas são segredos,
Assim são as curvas dos olhos teus.

Por onde fores, levarás meus medos,
Mas nunca ouvirás o meu adeus.

Se curvas tu és, sou eu as linhas,
Ainda não traçadas em tua boca.

Nestas passagens que já as vejo fininhas,
Tua falta se reforça em minha vida tão pouca.

(Luciene Lima Prado)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

DE OLHOS FECHADOS

Basta para mim o descanso,
Tudo mais é desperdício.

Sinto meu corpo ranço
Preso neste caminho difícil.

Porque tudo me cansa,
Mesmo tua carícia.

Já não tenho a palavra mansa
Que me dava o tom de malícia.

Quero descansar neste banco,
Nesta praça cheia de lírios.

No descanso eu me tranco,
Livre de mais martírios.

(Luciene Lima Prado)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

SONETO IMPERFEITO


Perdido está meu penúltimo verso,
Dentro de algum caderninho disperso;
O último espero gerar entre meus dedos,
Os mesmos onde guardo meus segredos.

Eu tenho um poema não concluído,
Cheio de palavras, falho de sentido;
Uma poesia onde não posso me achar,
Onde se perdeu, em verso, o verbo amar.

Há quem espera um poema qualquer,
Do meu coração de triste mulher,
Feito com belas letras inclinadas.

Mas o que escrevi são horríveis rasuras,
(Nascidas nas minhas tardes escuras)
Donde surgem poesias inacabadas.

(Luciene Lima Prado)

(ANOITECEU DE VEZ)

A noite costuma vir aos poucos,
Mas hoje veio mais cedo.

(Na penumbra tropeço nos tocos,
Contudo, eu sei dos rochedos.)

A Lua, ontem, iluminando demais,
Foi um sinal que não desvendei.

(Eu que conheci mistérios astrais,
E dos astros já fui rei.)

Anoiteceu tão prontamente
Que as estrelas pareciam outras.

(E nem sei o que você sente,
À noite, entre e o escuro e as ostras.)

(Luciene Lima Prado) 

UM VERSO COMO ÓPIO

O mais perfeito verso
Poderia ser meu ópio,
Um corte em minha amargura,
Uma tarde de sol deleitosa.

Não tenho versos perfeitos,
Tenho apenas o lápis,
O papel que me hipnotiza,
Uma tarde de sol incompreensível.

Eu queria o ópio de um verso,
Do teu verso perfeito,
Ainda não cogitado
Sob esta tarde em nossas mãos.

(Luciene Lima Prado)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

AUTORRETRATO POÉTICO

Noutro espaço tenho o peso das vírgulas,
O contexto reto das canções frívolas;
Não sou artista em terra que não me cabe,
Meu destino está onde não há chave.

Não me deslumbro com criações ridículas,
Mas sim com a dureza das penínsulas,
Das quais te vejo partir tão suave,
Carregando na alma o que ninguém sabe.

De outra dimensão avisto teus desejos
Com meu olhar aliviado de ensejos,
Numa pontuação jogada à fortuna.

Não me define o que tem alguma lógica,
Porque seria eu só uma verdade trágica
Escondida numa canção noturna.

(Luciene Lima Prado)

A BOCA


Minha boca tem
O sabor e a peçonha,
A vida e a escuridão,
A certeza e o mistério.

Saem da minha boca
Um cheiro de fronha,
O hipnotismo da canção
E todo meu império.

Em minha boca,
O beijo tíbio e mortal,
A bonança e a fúria,
A tarde e o inverno.

Em minha boca,
O último castiçal,
A alma agora impura
E o amor nunca eterno.

Eis que minha boca sucumbe,
Murcha, insana e púrpura.

(Luciene Lima Prado)

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