quinta-feira, 9 de julho de 2015

ESTRELA QUE NÃO SE VÊ


Aquele quadro a enfeitar a sala 
Carrega consigo minhas lembranças:
As que nunca cheguei a ter (talvez).

Uma terna pintura que me embala,
Penteando de sonhos minhas tranças
Enquanto esqueço minha palidez.

Põem-se a zanzar sobre aquela serra,
De tão perfeitas cores, formas e linhas,
Os sonhos que a vida às vezes entorta.

Naquela pintura que minhas dores enterra,
Deixei mergulhar as quimeras minhas
Para olhar a vida, atrás de mim, pela porta.

Luciene Lima Prado  

sábado, 14 de junho de 2014

SONETO DO AMOR ÍMPAR

Assim que vier até mim a saudade,
Terei fechado todas as janelas
Desta minha alma sem felicidade,
Embebecida em inúmeras sequelas.

A falta que deveras me provocas
Não haverá de me suscitar a morte;
Porque a ausência com que tu me tocas,
Faz das minhas fugas meu passaporte.

Lembrar-me-ei de ti pela vida inteira,
Nestas tarde insípidas e insossas,
Mesmo ao aparecer a estrela primeira.

Deitar-me-ei sobre a lembrança de ti,
Que em todos os momentos tu me endossas,
Pois mantém-me viva o que não vivi.

(Luciene Lima Prado) 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

INSTANTE INFINITO DE ALGUMA POESIA


Prepara-te para o pleno luar
Que se reflete no azul marinho.

Sobre um veleiro roçando o mar,
Rascunha o teu solitário caminho.

Todavia, o teu trilhar busca um destino;
Não tão comprido nem transitório.


Queres tu o evo mais cristalino
Contido no teu coração-oratório.

Eis que surge a Lua e em ti repousa,
Com rosto intrigante de poesia.

Teu pensamento feito mariposa
Navega pela tímida maresia.

Gotas de versos invadem fronteiras,
rabiscam o veleiro que velejas.

E pensar que tudo cabe em tuas algibeiras,
Como cabe uma vida toda nos lábios que beijas. 

(Luciene Lima Prado)

sábado, 23 de fevereiro de 2013




MAIO EM TOM AZUL 


Em um dia qualquer, ao sol de maio ao sul,
Um poema brotará em papel nu;
Tal como brotam os amores novos
Até nos corações dorminhocos.

Que germine um poema que nos marque,
Como a idade pintada por Balzac;
Mas que não faça a morte vir tão cedo,
Porém, dela nos desvende o segredo.

Em um dia qualquer, em algum pomar,
Faça o poema o mundo saltitar,
Com a música dos ventos alísios.

E que nos faça reviver Vinícius,
Fidelidade, sem separação,
Nos amores que semeou Platão.

(Luciene Lima Prado) 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Boa noite, amigos. 


      Antes do pequeno poema, quero justificar minha ausência.
      Mês passado minha mãe (82 anos) sofreu uma queda e teve o fêmur fraturado. Muitos dias passei  com mainha (meu bebezinho!) no hospital. A cirurgia foi feita na última quinta e hoje ela recebeu alta e está de volta em casa. Se eu for contar a experiência pela qual passamo e o que aprendemos disso tudo ficaria cansativo para vocês. Eu disse para meu querido amigo poeta José Manuel Brazão que senti Deus mais perto de nós e que vi esse momento com aprendizagem não sofrimento. Somos ricos de amigos! 
      Obrigada a todos pelos comentários. Gostaria de citar o nome de cada um, mas estou com cansadinha, sem coragenzinha... Obrigada aos velhos e novos amigos poetas, aos que estivram aqui de passagem e deixaram um amável incentivo. Puxõs de orelha tambpem são bem vindos, ok? 
       Fiquem com Deus!

CURA

Na dor, costuramos a vida em nós.
E basta um pequeno intervalo
Para amenizarmos as cicatrizes. 

Preparados, nos deixamos emendar
Nos retalhos de outras vidas,
Traçando novas texturas, estampas e matizes.

(Luciene Lima Prado)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

UM GRITO PERDIDO


 Tens os traços d'uma época débil,
Em que o sentimento já nasce estéril;
Tua voz já não se ouve, já não vibra,
Sem chá que de tua doença te livra.

Teu medo de gritar que contamina,
Uma aparente indiferença à sina;
No conformismo teu silêncio jaz
E teu ego já não se satisfaz.

Então encorpora as dores tu que calas
Fecha teu livro e lamenta em tua sala,
O tempo nem sempre vai curar tudo.

Poderia teu grito ser teu escudo,
Junto a outro grito libertar vidas;
Agora restam ilusões perdidas.

(Luciene Lima Prado)

Enquanto pudermos gritar, a greve continua. 




terça-feira, 29 de maio de 2012

VERSO SEM POESIA

É um verso que vem de longe,
Que no coração não se sente.

Não vem de navio, nem de bonde;
Apenas vem, de repente.

Parece sopro de vento sul,
Que do norte foi roubado.

Verso, tropeçado em paul,
Em palavra dividido, lado a lado.

Passa e no papel não pousa.
Sem rota, esquecido se vai.

Rapidamente apagado da lousa,
Pó de palavras que dos dedos sai.

(Luciene Lima Prado)

Enquanto isso... 


Nunca uma greve foi tão justa como a nossa!

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