segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

COMUNICADO

Se nada tenho a dizer,
Pecado eu fazer poesia,
Considerar-me poetisa.

Um coração tudo suporta,
Menos um verso vazio
Que pelo papel desliza.

(Luciene Lima Prado)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TEMPO DO AMOR

No tempo certo, vieram:
a chuva
E a flor,
O sol
E o fruto,
A saudade
E o abraço.

Mas foi no tempo incerto
Que o amor bateu à porta.

(Luciene Lima Prado)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

VERSOS EM LÁGRIMAS


Como estão enfastiados meus olhos!
Nem as belas palavras os alegram,
Nem belos jardins com eles combinam;
Há muito se perderam nos abrolhos.

Triste não sentir nos olhos o sabor
Das preces presentes na natureza,
Porque tudo que sentem é tristeza,
O gosto presente é o do amargor.

Lá fora, a vida passa normalmente...
Noutros olhos o prazer predomina;
Todavia, nos meus, não tenho essa sina.

O tempo pra sempre seguirá em frente,
Sem os meus olhos demais fatigados
Que agora esperam a morte entre os prados.

(Luciene Lima Prado) 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

REMENDO

De cacos restaurada é a vida,
Colada com incessante suor.

Quem vê tal imagem refletida
Ainda crê numa alvorada melhor.

Pelos bairros e suas entranhas
Corre sangue de toda dor.

Saltando sobre as manhãs e as manhas.
Corre... Como Almir Sater a compor.

Composição feita e sempre refeita,
Assim o viver se faz sem pressa.

Como a tristeza é pela vida aceita,
A alegria é para todos promessa.

(Luciene Lima Prado)

Vídeo coma  canção Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira: http://www.youtube.com/watch?v=OuiNZpLwJfQ

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

SONETO DO AMOR MAIOR


Fascina-me em teus olhos a piedade,
Que ao coração traz cumplicidade. 
És minha trilha serena e meu dia,
Verso perfeito da minha poesia.


Se me tocas o rosto, sinto ter vida;
Por seres tu minha alma preferida.
Meu caminhar segue tuas coordenadas
Para eu encontrar pétalas espalhadas.


Teus olhos piedosos são meu leito,
A paz concretizada dos sonhos meus,
A motivação que acorda em meu peito.


És aquele a nunca dizer adeus, 
O que floresce em meu caminho estreito,
Que cega meus pensamentos ateus. 


(Luciene Lima Prado) 

sábado, 14 de janeiro de 2012

POESIA EM PAPEL PAUTADO

Uma poesia que te condene
Ou uma que te vulgarize?
Aplausos poucos, mas honestos,
Ou aplausos sem conta, alienados?
Seja o verso um gole de veneno,
Com um toque de lágrima a gosto:
Que por ninguém passe insípido,
Como se não existisse.
Que se faça da poesia
A pintura inédita da vida,
Talvez em preto e branco,
Quiçá em cores subjetivas;
Nunca as mesmas paisagens.
Que se termine tarde o primeiro verso
E no último se exponha
O início de novas interrogações.

(Luciene Lima Prado)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SONETO DOS RIOS


Teu trajeto: no encontro de dois rios,
Correndo em direções contraditórias;
No meio de alguns sinais, perdas e glórias,
A sentir: prazer, tédio e... calafrios.

Transitas entre escolhas: sim e não;
Não sabes em que mar tudo termina,
Nem esperas passar a chuva fina,
Tampouco qual é a exata direção.

Quando à sombra chegar, pare e descanse,
Sinta o olor das ilusões a longo alcance;
Que o fascínio te torna bem mais vivo.

Tu, agora entre rios , siga teu curso
Com razão mais um pouco de teu impulso,
Pois, no fim, desaguar é teu objetivo.

(Luciene Lima Prado)

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