terça-feira, 29 de maio de 2012

VERSO SEM POESIA

É um verso que vem de longe,
Que no coração não se sente.

Não vem de navio, nem de bonde;
Apenas vem, de repente.

Parece sopro de vento sul,
Que do norte foi roubado.

Verso, tropeçado em paul,
Em palavra dividido, lado a lado.

Passa e no papel não pousa.
Sem rota, esquecido se vai.

Rapidamente apagado da lousa,
Pó de palavras que dos dedos sai.

(Luciene Lima Prado)

Enquanto isso... 


Nunca uma greve foi tão justa como a nossa!

sábado, 26 de maio de 2012

INSETO


Eu sou uma metamorfose de Kafka,
No suor da minha existência estática;
Rastejo através do entulho que sou,
Talvez um papel rasgado por Poe.

Proveniente de um fingido flerte,
Personagem descartado de Goethe;
Mesclo minha peçonha ao teu papel,
Tu que me lês com teu nocivo fel.

Vivo a partir do que me transformei,
Daquilo que não faz parte da lei
E do asco que por mim agora tenho.

Esfarela-me por misericórdia,
Que meu traço viscoso de discórdia
Já se encontra desprovido de engenho.

(Luciene Lima Prado)

domingo, 20 de maio de 2012

MADRUGADA


As minhas lágrimas secam,
Enquanto a tristeza permanece;
Nesta aridez constante,
É uma gota do meu suor
Que molha minhas mãos em prece.

 (Luciene Lima Prado)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PRIMEIRA POESIA DE FLORBELA


Haverão de pintar em aquarela
A primeira poesia de Florbela,
Para bem lá no firmamento a expor,
Junto da Lua, dos versos grande amor.

Na suave noite, cante-se a vida,
Embora de tristeza embevecida,
Embora de lamúrias pincelada,
Como Florbela, pela madrugada.

A primeira poesia de Florbela,
Cada poeta expondo-a em aquarela,
Ao amanhecer de outro novo mundo.

Da Lua, a poesia num mero segundo,
Lançará raios-versos em diagonal,
Até repousá-los em Portugal.

(Luciene Lima Prado)



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